“Rota comando” - filme sobre a Rota dá a São Paulo sua versão de ‘Tropa de elite’
“A Rota é a tropa de elite de São Paulo”, afirma Elias Junior referindo-se ao grupo batizado oficialmente de Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, divisão de elite da Polícia Militar de São Paulo. Estreante em longas-metragens, o diretor está trabalhando no filme “Rota comando”, adaptação do livro “Matar ou morrer” do ex-capitão da Rota, atualmente deputado estadual, Conte Lopes.
“O livro foi usado como referência para o roteiro, mas transformamos algumas ocorrências em ficção. Criamos família, mudamos os nomes, tudo para preservar os envolvidos”, conta Elias Junior, que não conseguiu autorização para usar os casos reais no filme. Além disso, o diretor conta que colheu depoimentos de policiais reformados, que teriam ajudado nos detalhes mais específicos e “passaram a doutrina e a mítica que a Rota tem”.
“Rota comando” é uma produção independente e com orçamento baixíssimo para um filme de ação: cerca de R$ 500 mil (“Tropa de elite” custou RS 10, 5 milhões). Seu elenco, apesar de grande (cerca de 150 pessoas), não tem atores famosos e todos trabalham em troca de uma “pequena ajuda de custo”. Está sendo filmado em digital e não deve chegar às salas de cinema, sendo lançado diretamente em DVD. Mas o diretor afirma que o projeto nasceu muito antes de “Tropa de elite” ganhar o país.
“A idéia veio depois de ‘Carandiru’, mas ninguém teve interesse no projeto.” Ele conta que após os ataques da quadrilha que age a partir dos presídios, em 2006, voltou a trabalhar pelo filme. O diretor assume que o roteiro tinha semelhanças com o longa de José Padilha e que precisou fazer alterações. Na história, dois bandidos fogem do Rio de Janeiro para São Paulo e receberam abrigo de um terceiro.
Elias Junior se diz admirador do trabalho da Rota, com o qual tomou proximidade quando praticava tiro. “A Rota faz o trabalho pesado. Quando tem uma denúncia, se impõe. Estamos filmando dentro de favelas, e todo mundo tem medo, porque sabe que muita gente morre nas ações deles. Eles agem com vigor, com violência às vezes.”
A desconfiança com o foco do longa vem também de dentro da própria PM. “Tivemos duas semanas de filmagens no pátio da Rota, mas eles são muito avessos a imagens. Mais da metade do batalhão não é a favor do filme, pois teme que vá denegrir a imagem dos policiais.”
Elias Junior conta que tem 25% do filme já rodado e terminará esse trabalho até o início de agosto. Depois disso, não deve levar muito mais tempo para que “Rota comando” seja lançado. “Estou sendo muito cobrado por coronéis da alta cúpula da polícia para que seja um trabalho bem feito. Mas quero fazer um filme que tenha polêmica.”
Fonte: G1
Aqui temos uma reportagem sobre o filme:

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